Significado de OCASO:

Pôr do sol; momento do dia em que o sol não mais aparece no horizonte; período do dia anterior à noite.

[Figurado] Final; momento em que algo termina ou chega ao seu limite; decadência; diminuição de poder, de influência.

Nos últimos 10 anos vimos o crescimento das por aqui chamadas Redes Sociais. Digo “por aqui” pois nos EUA elas tem um nome mais apropriado: mídias sociais.

Mais apropriado em minha opinião, porque é isso que elas são: plataformas de mídia. A ideia original, conectar-se com amigos e parentes distantes, há um bom tempo já foi suprimida pelo objetivo de vender espaço publicitário. Essas plataformas substituíram totalmente ou em parte as revistas, jornais e mesmo a tv, como forma de alcançar prospects e clientes, tanto para grandes empresas como para as pequenas e micro. E isso foi um grande avanço sem dúvida. Empresas e profissionais passaram a ter a possibilidade de mostrar seus produtos e serviços para audiências qualificadas e altamente segmentadas com custo relativamente baixo.  Mídias Sociais.

O problema é que a comunicação com amigos e parentes, que no início convivia com a publicidade civilizadamente, foi perdendo espaço para as discussões políticas, as fake news, a manipulação. E cada vez mais as pessoas se conscientizam disso, e vão se afastando das mídias principais, como facebook e instagram. Suas contas ainda estão mantidas, mas o uso é cada vez menor.

O lado da publicidade também já perdeu boa parte de seu encanto. Embora essas plataformas tenham gerado muitos negócios e riqueza para pequenos empreendedores, cada vez isso se torna mais difícil. A competição pelos cliques eleva o custo estratosfericamente e o “jogo” vai se tornando briga de cachorro grande. O investimento tem de ser cada vez mais alto para resultados cada vez mais difíceis.  Além disso, a infinita quantidade de publicidade nessas mídias já começa a cansar os usuários. O feed repleto de anúncios e ofertas e promessas come o espaço do “social”. A mídia social é cada vez mais mídia e menos social.

Recentemente li um artigo que mencionava uma estimativa da WFA (World Federation of Advertisers). Estimativa é que 88% (pqp) dos cliques em anúncios digitais são falsos. 88% dos cliques não são reais. Seriam gerados por robôs e outras falcatruas digitais. Você está certamente achando que essa estimativa é falsa, né? Eu também custo a crer, mas essa entidade acredita. E acrescenta: as plataformas faturam a cada clique. Para elas essa situação não é desconfortável. Para as agências que querem mostrar cliques para as empresas-clientes também não. Em algum momento isso será insustentável e aí vão surgir iniciativas para coibir, etc. Eu, particularmente, acredito que o ocaso irá acontecer antes, pois é o comportamento das pessoas que move os negócios.

Existem inúmeros sinais: as pessoas estão de saco cheio do ódio e dos anúncios incessantes, o Instagram está perdendo boa parte dos jovens, o Facebook ninguém mais dá atenção. TikTok está agora atraindo os mais jovens, mas por quanto tempo? Os pais estão praticamente desesperados com a quantidade de horas que seus filhos passam na internet e aumenta a cada dia os que passam a regular esse acesso das crianças com mais cuidado. A China limitou a 3 horas por semana. Não porque é uma ditadura (é mesmo), mas porque quer continuar tendo gerações de jovens que estudam cada vez mais e superam seus pares ocidentais. Ou seja, os criadores do TikTok não querem que seus jovens consumam essa plataforma sem controle. Isso me lembrou do Steve Jobs, cujos filhos não tinham iPad nem iPhone porque ele não queria que desperdiçassem seu tempo.

Você que está lendo este texto, já sabe (sente) tudo isso. Você sabe que precisa diminuir o tempo que passa nessas mídias sociais. Que precisa ficar atento à sua família em relação a isso. Você sabe que os resultados das suas ações de publicidade digital ou de sua empresa estão cada vez menores ou exigem cada vez maiores investimentos.

Enfim, o meu ponto é que eu acredito que estejamos vivendo o ocaso dessas mídias. Talvez seja difícil ainda para muitos concordar, pois parece na verdade que elas estão no ápice. E é assim mesmo. A história e as leis da física mostram que a partir do ápice só há um caminho possível: para baixo.

Certamente irão surgir outras alternativas, outras opções que nem sequer imaginamos ainda. Algumas inclusive que vão parecer uma “volta às origens”. Mas certamente a humanidade irá fazer o que sempre fez: buscar soluções melhores. Soluções que não serão B2B nem B2C, mas H2H – Human to Human.

Quanto mais digitais nos tornamos, mais humanos precisaremos ser.

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