O resgate do Professor/Treinador

Na década de 80, o mercado de fitness era limitado a poucas academias onde prevaleciam as aulas de ginástica (aulas coletivas ou aulas em grupo é terminologia mais recente), aeróbica, localizada, depois step, etc. e até a 2ª metade da década de 90 essas atividades eram muito procuradas.
Nessa época o professor era importante dentro do negócio. Era comum na década de 80 haver rixa entre academias de uma mesma cidade por uma “roubar” um bom professor da outra. A função desses profissionais, porém, era menos técnica e mais tipo animador de auditório (me incluo aqui). O carisma e energia em cima do palco eram mais importantes que a condução do treino, especialmente considerando que no auge dessas aulas, era comum haver 80, 100, ou até mais participantes.
Nos anos 90 a musculação cresceu em procura e em área dentro das academias, e passou a ocupar parte importante das atividades. Pessoas comuns, sem objetivos de fisiculturismo, passaram a procurar e/ou ser direcionadas para a musculação quando se matriculavam nas academias.
Começa aí um paradoxo dos professores: embora o professor da musculação tenha uma função muito importante na orientação dos exercícios, na verificação da correção da execução, esses profissionais foram perdendo importância ao longo do tempo, dentro do negócio academia. Espalhados pela sala, em número cada vez menor (até chegarmos ao mínimo das low-costs), foram vendo seu valor hora/aula diminuir. Aqui cabe a analogia da Tostines: isso aconteceu por que os professores não exerciam seu papel dando atenção às pessoas o tempo todo, OU a desvalorização gradual gerou uma desatenção e um descompromisso cada vez maiores?
Já não mais importa. Como escrevi em posts anteriores, a sala de musculação como conhecemos é agora característica das academias low-cost, e irão atender os novos entrantes e pessoas que não veem uma mensalidade acima de R$ 80,00 ou R$ 90,00.
Qualquer que seja a análise, o que quero aqui é salientar que estamos iniciando uma nova era. A era das atividades e academias Training Centric, focadas no treino, focadas nos resultados dos clientes. E para focar no treino, ninguém melhor que o TREINADOR. O cara que vai conduzir os clientes aos resultados desejados. Obviamente isso não se faz com 80 ou 100 ou mesmo 30 pessoas na sala. As novas academias e atividades priorizam os smallgroups, conduzidos por um treinador capacitado, que sabe o que está fazendo e que entende que se não gerar resultados, perderá os clientes e/ou o emprego.
Nos Estados Unidos, as academias “sem musculação” são as que estão cobrando tickets médios maiores, acima de US$100. E as que focam nos smallgroups, com treinadores qualificados estão cobrando 3 vezes mais que essas. Adivinhem o que acontece com os treinadores dessa última categoria? Isso! Recebem valores de personal training por suas aulas. No Brasil já há iniciativas desse tipo (quem esteve em nosso Workshop de Training Gyms conheceu algumas) e muitas mais virão. É um modelo do tipo ganha-ganha, bom para o negócio e para os treinadores.
Os profissionais , agora chamados treinadores, tem sua importância resgatada, não pela animação de auditório, mas pelas qualidades técnicas, conhecimentos científicos e práticos de como conduzir pessoas a seus objetivos de treinamento. Quem sabe em breve começarão a ser alvo de rixas entre as academias novamente?

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