Quem tudo quer…

Hoje eu estava em dúvida entre escrever o PNS sobre as reformas constitucionais que estão sendo feitas ou encaminhadas, mais especificamente a trabalhista, OU sobre a profissão de educação física, com algumas impressões não solicitadas que ando elucubrando na minha cabeça.
Pois não é que me chega uma informação pelo zapzap que se refere justamente aos 2 assuntos? Coincidência forte que facilitou minha escolha.
Vamos lá! A informação é de que há um projeto de lei no senado que instituirá (se aprovado) o piso salarial de R$ 3.740,00 para profissionais de Educação Física. Embora não deixe ninguém rico, seria um aumento significativo nos padrões atuais. O senador que propôs o tal projeto justifica que esses profissionais “são responsáveis por educar estudantes, treinar equipes, orientar praticantes de esportes e atividades físicas em geral, fazendo jus a um piso salarial digno”.
Muito bem: você que é profissional de EF e lê este post, deve estar feliz, pois todo mundo gosta de aumento, mas sugiro que pense um pouco além do próprio corporativismo:
– os senadores, deputados, etc. proporão qualquer coisa que possa render votos. Com votos eles conquistam salários de mais de 30 mil reais mensais com direito de aumentar o próprio salário, “trabalho” de 3 dias por semana, auxílio moradia, auxílio paletó, auxílio combustível, uma penca de funcionários de gabinete em número maior do que a maior parte das micro e pequenas empresas no Brasil, e muitas outras cositas que vocês sabem bem. Sem ter de produzir nada, e principalmente SEM TER DE PAGAR os custos dos projetos. Quem irá pagar serão as empresas, principalmente,
e em alguma escala as instituições públicas que contratam profissionais de EF.
Fazer boas ações com o dinheiro dos outros é muito fácil, e ainda melhor se os trouxas (nós) votam no sujeito por isso.
– se aprovado algo assim, especialmente em uma crise como a que vivemos, o efeito quase imediato será o de gerar demissões em quantidade bem razoável. Tanto no setor privado como no setor público. Lembrem-se que os governos municipais, estaduais, federal estão falidos e não teriam condições de arcar com esse aumento. Mais uma vez, é um tiro no pé;
– não gosto de sindicatos e/ou sindicalistas (estou sim muito feliz com a nova lei que acaba com a mamata da contribuição obrigatória e espero que seja mantida), mas uma das prerrogativas que esses sindicatos tem e reivindicam com fervor é de ter a prioridade de negociação com os “patrões” sobre dissídios, reajustes, pisos salariais, etc. Por que a porra do senado tem de se meter nisso? Eu respondo: porque os 14 milhões de desempregados no Brasil tiram a força dos sindicatos e aí os políticos oportunistas querem aparecer. E propõe leis que aumentam a despesa pública (que já explodiu), oneram as empresas (que já estão fudidas) e ajudam os trabalhadores…SQN! Se aprovadas irão gerar mais demissões e mais desemprego!;
– nem vou falar da justificativa do tal senador (leia acima). Você, profissional de EF, acha mesmo que é tão mais importante assim que outros profissionais? Seja sincero com você mesmo. Eu já cansei de ouvir a ladainha dos 4 anos de faculdade, blablabla. TEM UM MONTE DE PROFISSÕES que também tem 4 ou mais anos de faculdade e nem por isso você como consumidor deixa de reclamar de médicos, dentistas, farmacêuticos, fisioterapeutas, etc. dizendo que não sabem nada, que não é possível o cara atender daquela maneira, que os médicos no Brasil são ruins. E isso em geral é verdade. SÓ A FACULDADE NÃO FORMA BONS PROFISSIONAIS!
– Se você for sincero consigo mesmo, duvido que ache de verdade que “estudei muito na faculdade…” . Simplesmente não é verdade. É muito fácil passar em todas as matérias na faculdade de Educação Física. Só não passa quem não quer. Já era verdade na minha época e de lá para cá convenhamos que a educação superior no Brasil não melhorou. Ampliou-se o número de vagas sim, mas a qualidade do ensino melhorou? Me poupe… A Anhanguera está aí para não me deixar mentir. Lá no fundo você sabe que não precisou se esforçar quase nada para passar pela faculdade. Que o que quer que tenha realmente aprendido e que hoje faça diferença na sua carreira, foi depois da faculdade e fora dela, seja em cursos específicos e/ou na própria prática profissional, errando e acertando, ouvindo, vendo, aprendendo com profissionais mais experientes, com os treinamentos nas empresas em que trabalhou, etc.
O Brasil está em uma sinuca de bico como talvez nunca tenha estado antes. Se cada um, cada “catiguria” continuar no venha a nós o vosso reino, nada vai melhorar. É preciso entender que o governo jamais será solução de nada. Em geral, é ele o problema. Retira uma parte enorme e cada vez maior de recursos da sociedade, de quem realmente produz (sim, de você e das empresas) e não dá nada em troca. O governo só dá a si mesmo. O tríplex não é meu nem seu. Todos sabemos de quem é de onde veio.
É hora de decidir quem você vai ser. O profissional que luta para ser cada dia melhor, oferecer serviços relevantes e de alta qualidade para os clientes e a sociedade, ou o profissional que se apoia nos “direitos conquistados”, mas sabe lá no fundo que não se diferencia dos demais e que sozinho não conseguirá conquistar a remuneração que deseja. Então alimenta esse ciclo vicioso de “eu apoio quem me engana por mais alguns trocados, porque não estou seguro de que consiga esses trocados sozinho”…

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