Soulbox / Sousurdo

Semana passada fiquei sabendo do lançamento de um novo tipo de estúdio aqui em São Paulo: Studio SoulBox.
Trata-se de uma academia boutique (nota do tradutor: academia boutique aqui no Brasil ficou entendido como academia “chique” e pequena. Não é isso. O original americano significa que a academia é pequena e de nicho, focada em algum público ou aspecto específico) que tem por base o BOXE. Aliás, não sei se o nome usando box sem E foi de propósito. Deve ter sido. Para mim SoulBoxe seria mais adequado, visto que box e boxe são coisas bem distintas.
Enfim, o estúdio oferece modalidades de aulas que tem por base os movimentos de boxe e algo de mma, combinados com treinamento funcional.
Achei o conceito interessante e tenho certeza que há um nicho de pessoas que gostam desse tipo de treinamento e poderão se interessar e praticar.
No domingo, fui caminhar de manhã pelo bairro para tomar um pouco de sol no lombo com a companhia de minha mulher. Por total coincidência, eis que nos deparamos com a SoulBox. A unidade piloto do que pretende ser uma rede de franquias fica no meu bairro e sem querer a encontramos. Estava aberta e assim decidimos dar uma olhada.
O aspecto das instalações é muito bom, de bom gosto. Após explicação básica sobre modalidades e valores, o atendente nos informou que estava acontecendo no momento uma aula de SoulBox, que é justamente a aula em grupo que mixa socos, chutes, agachamentos, burpees, funcional. O acompanhamos e entramos na sala.
A foto deste post dá uma idéia de como é a sala. Vários bags dispostos lado a lado e um tablado pequeno onde fica o professor. Quando entramos havia umas 10 pessoas fazendo a aula. Impressões imediatas:
– a música estava em um volume de balada monstro. Combinada com os gritos da professora ao microfone, era mais que ensurdecedor, era (para alguém como eu) insuportável.
– a iluminação era mais escura do que mostra essa foto. Bem difícil observar o que as pessoas faziam. Isso combinado à proximidade dos bags e que as pessoas ficam meio “atrás” do bag quando socam, me levou à seguinte conclusão: é praticamente impossível que a professora lá em cima do tablado, na penumbra, consiga observar e tentar corrigir a técnica dos socos e chutes que os alunos executam “atrás” dos bags, prejudicando ainda mais a visão dela.
– como fiquei menos de 3 minutos dentro da sala, não posso saber se de vez em quando a professora sai do tablado e anda pela sala para correções, mas tenho convicção de que caso a aula estivesse cheia, isso seria inviável, pois há pouquíssimo espaço disponível entre os bags.
Ao sair da sala eu disse ao atendente que ia sair pois não aguentava o som e os gritos naquele volume (exatamente o que me aconteceu junto com um amigo quando visitei o Spin&Soul e entrei na sala de cycle – volume lá em cima e o professor gritando no microfone), e que certamente não era algo para minha idade. Antes que ele pudesse dizer algo, minha esposa, que é MAIS NOVA que eu e mais baladeira, disse que também não dava para ela.
O rapaz respondeu que não, que as aulas eram para qualquer faixa etária, etc. etc. etc. Aquele discurso de muitas academias, de quem quer atingir o nicho, mas tem medo de assumir isso claramente. Tenho convicção que há uma fatia da população nas grandes cidades, homens e mulheres, que gosta dos socos e chutes e que curte o volume insuportável.
Assim como há para os estúdios de cycle. Mas essas pessoas são um nicho, que tem determinada faixa etária, determinado poder econômico e que frequentam baladas onde o volume da música é da mesma forma “contundente”.
Não há problema com isso. Mas é preciso assumir. Querer colocar todo tipo de pessoa no seu nicho não é exatamente o que se entende por nicho, certo?
Outro ponto que me incomoda como profissional de fitness é o aspecto da correção. Assim como já me manifestei sobre o crossfit com os levantamentos olímpicos, as técnicas de boxe são precisas, detalhadas e servem para dar segurança às articulações enquanto produzem o maior impacto. Deixar as pessoas socando e chutando os bags da forma que acham que seja um jeb, um direto, um gancho, etc. é arriscado. E o crossfit nesse caso tem uma vantagem: o professor consegue enxergar as pessoas e ir até elas se julgar que deve.
Enfim, o mercado se desenvolve assim: novos negócios, cada vez mais segmentados. Uns vingarão, outros não. E eu estarei aqui para dar palpites ainda que ninguém tenha perguntado.

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